Dr. Bruno Psiquiatra Uberlândia

Quando Minha Mente Virou Prisão: Vivendo com Transtorno Obsessivo Compulsivo

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Gente, que difícil escrever sobre isso… Mas se minha história puder ajudar alguém que tá passando pelo mesmo inferno que passei, já vale todo o constrangimento. Transtorno obsessivo compulsivo não é frescura, não é “mania de limpeza” – é uma condição debilitante que quase destruiu minha vida.

Os Primeiros Sinais (Que Eu Achava Normais)

Começou bem sutil, há uns cinco anos. Eu sempre fui organizada – profissão de advogada exige, né? Mas começou a passar dos limites. Checava a porta do escritório três, quatro vezes antes de sair. “Só pra ter certeza”, eu pensava.

Depois vieram as lavadas de mão. No início era só “higiene reforçada” – trabalhava com muita gente, documentos, essas coisas… Mas foi escalando. Lavava as mãos depois de tocar em qualquer coisa, depois de cumprimentar alguém, depois de mexer em papel…

O pior era que eu SABIA que tava exagerando, mas não conseguia parar. Era como se uma voz na minha cabeça dissesse: “E se não fizer direito? E se acontecer algo terrível?”

A Escalada do Caos Mental

Com o tempo, o transtorno obsessivo compulsivo foi tomando conta de tudo. Não era só lavar as mãos – eram rituais complexos. Tinha que lavar de um jeito específico, com sabão específico, enxugar de forma específica…

No escritório, começei a reorganizar os processos várias vezes por dia. Mesmo sabendo que tavam organizados, batia aquela necessidade incontrolável de “conferir só mais uma vez”. Perdia horas fazendo e refazendo a mesma coisa.

As noites viraram um pesadelo. Levantava da cama pra conferir se a porta tava fechada, se o gás tava desligado, se as janelas tavam trancadas… Chegava a fazer isso umas dez vezes por noite.

A Descoberta que Mudou Minha Vida

Foi minha secretária que me alertou: “Doutora, a senhora não acha que tá exagerando nessas checagens?” Ela tinha razão, mas eu não conseguia admitir. Como advogada, sempre tive controle sobre tudo… como podia estar perdendo controle da própria mente?

Minha cunhada me falou do Dr. Bruno, psiquiatra de Uberlândia. “Ele entende dessas coisas de pensamentos repetitivos”, ela disse. Relutei muito – psiquiatra pra mim? Mas os rituais tavam consumindo horas do meu dia.

A primeira consulta foi reveladora. Dr. Bruno me fez perguntas que ninguém nunca tinha feito: “Você tem pensamentos intrusivos? Faz coisas repetitivas pra aliviar a ansiedade?” Pela primeira vez alguém entendia o que tava acontecendo comigo.

Entendendo Meu Transtorno Obsessivo Compulsivo

Dr. Bruno me explicou que transtorno obsessivo compulsivo tem duas partes: as obsessões (pensamentos intrusivos) e as compulsões (comportamentos repetitivos pra aliviar a ansiedade das obsessões).

“É como se seu cérebro tivesse um alarme defeituoso”, ele disse. “Ele apita ‘perigo!’ mesmo quando não tem perigo real, e as compulsões são sua tentativa de desligar esse alarme.”

No meu caso, as obsessões eram principalmente de contaminação e dúvida patológica. E as compulsões… nossa, quantas! Lavar as mãos, checar fechaduras, reorganizar papéis, contar coisas, repetir frases mentalmente…

O Impacto na Minha Rotina (Foi Devastador)

Transtorno obsessivo compulsivo roubou minha vida, literalmente. Chegava no escritório uma hora mais cedo só pra fazer todos os rituais de “organização”. Saía duas horas mais tarde porque precisava conferir tudo múltiplas vezes.

Reuniões com clientes viraram tortura. Ficava pensando se tinha cumprimentado todos direito, se minhas mãos tavam limpas, se os documentos tavam na ordem certa… Perdia o foco completamente.

Em casa era pior ainda. Ritual pra entrar (tirar sapatos de forma específica, lavar mãos por exatos dois minutos), ritual pra comer (conferir se os pratos tavam limpos três vezes), ritual pra dormir (checar tudo na casa seguindo uma sequência rígida)…

As Reações da Família (Mistura de Paciência e Desespero)

Meu marido foi um santo no início. “É só uma fase”, ele dizia. Mas quando começei a acordar ele de madrugada pra confirmar se a porta tava trancada, a paciência dele se esgotou. “Isso não é normal!”, ele gritou uma noite.

Meus filhos reagiram cada um de um jeito. Minha filha mais velha ficou preocupada: “Mãe, por que você lava a mão tantas vezes?” Meu filho caçula começou a imitar meus rituais, achando que era brincadeira…

Minha mãe, coitada, tentava ajudar do jeito dela: “Filha, para com essa mania!” Como se fosse escolha minha! Levou tempo pra família entender que transtorno obsessivo compulsivo é doença, não birra.

O Tratamento (Longo e Desafiador)

Dr. Bruno me explicou que o tratamento pra transtorno obsessivo compulsivo combina medicação e terapia cognitivo-comportamental. “Vamos atacar o problema por duas frentes”, ele disse.

A medicação foi um ISRS em dose alta – muito mais alta que pra depressão comum. “TOC precisa de doses maiores pra responder”, ele explicou. Os primeiros meses foram difíceis: náusea, insônia, diminuição da libido…

Mas o mais difícil foi a terapia de exposição. Dr. Bruno me ensinou a enfrentar as obsessões sem fazer as compulsões. “Você vai sentir ansiedade, mas ela vai passar naturalmente”, ele dizia. Que desafio!

As Mudanças Sazonais (Que Descoberta!)

Uma coisa que Dr. Bruno me alertou: transtorno obsessivo compulsivo pode piorar com mudanças sazonais. No inverno, quando fico mais tempo fechada em casa, os rituais de limpeza intensificam.

Realmente notei o padrão. Nos meses mais frios, quando há mais vírus circulando, minha obsessão por contaminação dispara. É como se meu cérebro usasse qualquer desculpa pra intensificar os rituais.

No verão, com mais atividades ao ar livre, consigo me distrair mais dos pensamentos obsessivos. Mas aí surgem outras obsessões – conferir se passei protetor solar direito, se tranquei o carro adequadamente…

Os Detalhes Sensoriais Que Torturam

Transtorno obsessivo compulsivo afeta todos os sentidos de forma intensa. O toque era meu maior terror – qualquer superfície parecia contaminada. Maçanetas, corrimãos, até meu próprio celular me causavam nojo.

O som também me perturbava. Se ouvia um “clique” diferente ao trancar a porta, tinha que repetir até ouvir o som “certo”. Chegava a trancar e destrancar quinze vezes seguidas só pra ter o som perfeito.

Até o cheiro virou obsessão. Sentia “cheiro de contaminação” em lugares perfeitamente limpos. Ou ficava preocupada se minha mão ainda tava com cheiro de sabão depois de lavar – se não tivesse, precisava lavar de novo.

Os Rituais Secretos (Que Ninguém Via)

O pior do transtorno obsessivo compulsivo são os rituais mentais que ninguém percebe. Contava mentalmente enquanto fazia as coisas, repetia frases específicas, fazia “orações” compulsivas pra evitar catástrofes imaginárias.

Tinha rituais pra dormir que duravam mais de uma hora. Conferir mentalmente tudo que fiz no dia, repetir certas palavras um número específico de vezes, visualizar cenários “seguros”… Era exaustivo!

No escritório, desenvolvi rituais com os processos. Tinha que ler certas partes três vezes, organizar os papéis numa sequência específica, tocar em determinados objetos antes de começar a trabalhar…

Os Erros Que Cometi (E Que Pioraram Tudo)

No início, tentei “racionalizar” com os pensamentos obsessivos. “Isso é besteira, não preciso lavar a mão de novo.” Mas tentar argumentar logicamente com TOC só aumenta a ansiedade.

Também cometi o erro de pedir confirmação constante pros outros. “Você tem certeza que a porta tá fechada?” Isso só reforçava minha necessidade de certeza absoluta – coisa que não existe!

Outra besteira foi tentar “negociar” com os rituais. “Vou lavar a mão só mais uma vez e paro.” Com transtorno obsessivo compulsivo não tem negociação – é tudo ou nada.

Como Dr. Bruno Me Ensinou a Lutar

O tratamento com Dr. Bruno, psiquiatra de Uberlândia, foi transformador. Ele me ensinou que a única forma de vencer o TOC é enfrentando as obsessões sem fazer as compulsões.

“Ansiedade é como uma onda”, ele dizia. “Sobe, atinge o pico e desce naturalmente. As compulsões impedem que ela desça sozinha.” Foi a metáfora que me ajudou a entender o processo.

Ele criou uma hierarquia de exposições pra mim. Começamos com coisas “menos assustadoras” e fomos subindo gradualmente. Tocar numa maçaneta e não lavar a mão foi meu primeiro grande desafio.

A Vida Social (Que Isolamento!)

Transtorno obsessivo compulsivo me isolou completamente. Parei de frequentar restaurantes – muito “sujo”. Evitava cumprimentar pessoas – risco de contaminação. Até visitas em casa ficaram raras.

Festas viraram pesadelo. Banheiros públicos então… nem pensar! Levava álcool gel pra todo canto, mas mesmo assim não me sentia “segura”. Preferia ficar em casa com meus rituais controlados.

Meus amigos não entendiam. “Relaxa um pouco!”, diziam. Como se fosse escolha! Alguns se afastaram, outros tentaram ajudar do jeito deles – mas ninguém sabia como lidar com TOC.

As Descobertas Surpreendentes

Uma coisa que descobri: transtorno obsessivo compulsivo tem muitas “caras” diferentes. Não é só limpeza e organização. Tem TOC de checagem, de simetria, de pensamentos “proibidos”, de acumulação…

Também aprendi que TOC pode “pular” de tema. Quando controlei a obsessão por limpeza, apareceu obsessão por simetria. É como se o cérebro precisasse sempre ter algo pra se fixar.

Descobri que exercício físico ajuda muito. Quando faço caminhada ou yoga, os pensamentos obsessivos diminuem por algumas horas. É como se o cérebro “descansasse” da hipervigilância.

A Medicação (Salvação e Desafio)

A medicação pra transtorno obsessivo compulsivo foi essencial no meu caso. Sem ela, não conseguia nem começar as exposições terapêuticas. Mas vem com efeitos colaterais chatinhos…

Ganho de peso foi inevitável. Diminuição da libido também. Sonolência nos primeiros meses. Mas Dr. Bruno sempre dizia: “Os benefícios superam os efeitos colaterais?” E realmente superavam.

O mais difícil foi aceitar que seria medicação pra vida toda. “TOC é uma condição crônica”, Dr. Bruno explicou. “Como diabetes – precisa de tratamento contínuo.” Foi duro aceitar, mas necessário.

A Recuperação (Lenta Mas Constante)

Hoje, dois anos depois do início do tratamento, posso dizer que tenho minha vida de volta. Não 100% – transtorno obsessivo compulsivo sempre deixa umas “cicatrizes” – mas 80% melhor já é muita coisa!

Ainda tenho dias ruins, principalmente quando tô muito estressada. Mas agora sei identificar quando os pensamentos obsessivos tão voltando e uso as técnicas que Dr. Bruno me ensinou.

Voltei a sair, a viajar, a receber pessoas em casa… Claro que com alguns cuidados extras, mas dentro da normalidade. Não sou mais prisioneira dos meus próprios rituais.

O Que Aprendi (E Quero Compartilhar)

Se você suspeita de transtorno obsessivo compulsivo, algumas dicas importantes:

Primeiro: TOC não é “mania” ou “frescura”. É uma condição neurobiológica séria que precisa de tratamento especializado.

Segundo: não tenta “controlar” os pensamentos obsessivos sozinha. Procura ajuda profissional. No meu caso, Dr. Bruno foi fundamental.

Terceiro: tratamento demora pra fazer efeito. Não desiste nas primeiras semanas. TOC é teimoso, mas tratável.

Quarto: envolve a família no processo. Eles precisam entender que você não escolhe ter esses comportamentos.

Uma Reflexão Final

Viver com transtorno obsessivo compulsivo foi a experiência mais desafiadora da minha vida. Mais difícil que qualquer caso jurídico complexo que já peguei. Mas também me ensinou sobre resiliência, autocompaixão e a importância da saúde mental.

Hoje sei que TOC faz parte de quem eu sou, mas não me define. É uma condição que preciso manejar, como alguém que tem diabetes ou hipertensão. Com tratamento adequado, dá pra viver muito bem.

Se você chegou até aqui lendo, obrigada. E se você tá passando por algo parecido, saiba que tem tratamento, tem esperança, tem vida normal do outro lado. Não desiste!

Transtorno obsessivo compulsivo quase me destruiu, mas não conseguiu. E não vai conseguir com você também, se buscar a ajuda certa.


Este relato é baseado em minha experiência pessoal com transtorno obsessivo compulsivo, diagnosticado e tratado pelo Dr. Bruno, psiquiatra de Uberlândia. Cada caso é único – sempre procure orientação médica especializada para avaliação adequada dos seus sintomas.

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Doutor Bruno Oliveira

Me chamo Bruno Oliveira Paulo, sou médico Psiquiatra, e me formei em Medicina na UFU , tendo completado minha residência em Psiquiatria no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP. Agradeço sua leitura. CRM 76733 | RQE 57735