Quando comecei a estudar a teoria do apego, confesso que não sabia muito bem o que esperar. Eu, como advogada, sempre fui muito lógica, racional e, por vezes, um pouco distante das questões emocionais mais profundas. Mas, ao longo dos anos, percebi que as relações humanas, tanto pessoais quanto profissionais, estavam me trazendo uma carga emocional que eu não sabia como lidar. Foi então que a teoria do apego começou a fazer mais sentido do que eu poderia imaginar.
Eu sempre fui muito independente. Criada para ser forte, para enfrentar as dificuldades da vida sem pedir ajuda, sem demonstrar fragilidade. Mas a teoria do apego me fez questionar: será que minha independência não estava mascarando algumas lacunas emocionais? Estava, de certa forma, fugindo de me conectar mais profundamente com as pessoas ao meu redor?
A teoria do apego, formulada por Bowlby, nos ensina que as primeiras experiências com nossos cuidadores formam a base para como nos relacionamos com o mundo à nossa volta. De alguma maneira, o que vivi na infância se refletiu nas minhas relações na vida adulta. Eu sou daquelas pessoas que evita demonstrar muito afeto, que prefere manter as coisas racionais. E, ao refletir sobre isso, percebi que estava, talvez, replicando um estilo de apego evitativo, onde a intimidade emocional é um pouco mais difícil.
Mas o que realmente me marcou foi quando comecei a aplicar esse entendimento nas minhas próprias relações. Eu não sabia que minha forma de me afastar das emoções estava, na verdade, criando barreiras que afetavam minha conexão com os outros. A teoria do apego me ajudou a enxergar essas defesas que eu criava como algo mais profundo, como um mecanismo de proteção que, no fim das contas, estava me isolando.
O processo de mudar foi desafiador. A primeira coisa que precisei fazer foi começar a me permitir ser vulnerável. Isso não é fácil para alguém que, como eu, tem medo de perder o controle. Porém, aos poucos, comecei a perceber que, ao ser mais aberta e autêntica com as pessoas ao meu redor, as relações ficaram mais genuínas e profundas.
As reações das pessoas ao meu redor também foram interessantes. Minhas amigas ficaram surpresas, mas logo me apoiaram. Meus familiares, por outro lado, notaram uma mudança positiva em como eu me relacionava com eles. Foi como se, finalmente, eu tivesse dado um passo em direção à verdadeira conexão emocional. A teoria do apego me deu a chave para entender por que eu agia de determinada forma e me proporcionou as ferramentas para melhorar essas relações.
O mais surpreendente de tudo foi perceber como minha rotina diária, até mesmo o meu trabalho, foi impactada por essa nova visão. Eu me tornei mais empática, mais paciente com os outros e até mais focada. Quando comecei a me abrir mais emocionalmente, a sensação de estresse diminuiu e minha produtividade aumentou.
A teoria do apego, para mim, foi uma verdadeira revelação. Ela me ajudou a quebrar as barreiras que eu mesma havia construído e a entender como, ao me conectar de forma mais profunda, eu poderia viver de forma mais plena. Hoje, mais do que nunca, valorizo a conexão genuína e sei que, ao permitir que as pessoas se aproximem, posso construir laços mais saudáveis e enriquecedores.
